Pesquisa Biológica

A Pesquisa Biológica promoveu diversas pesquisas, trabalhos e motivaram patrocinadores, como os Barcos Marina. Estas pesquisas ocorrem desde o ano 2000 e são mais antigas em virtude dos pesquisadores que estavam vinculados desde o início da parceria, como o Biol. Luiz Ferrúa de Oliveira. A motivação inicial foi e é a formação de um banco de dados sobre a mangona (Carcharias taurus) que motivou o nome do Projeto, Projeto Carcharias. A identificação dos estoques de tubarões que são alvo da pesca, a identificação das diversas espécies de tubarões que seus estoques estão ameaçados. Para tanto, em 2010 foi criado o projeto de Etnobiologia. Este busca identificar as espécies de tubarões e os padrões de pesca dos elasmobrânquios capturados pela frota pesqueira do Passo de Torres. São identificadas as espécies e onde os pescadores, são questionados sobre as diversas características de cada pescaria. Analisar como os pescadores vêem a pesca é fundamental para a conservação dos elasmobrânquios. Pois, algumas espécies, como o cação-anjo, raia-viola e a mangona, estão seriamente ameaçadas pela pesca. A partir de 2008 foram elaboradas diversas pesquisas relacionadas com microrganismos presentes no pescado e nas embarcações. Foram identificadas bactérias presentes no pescado que não haviam sido registradas para o litoral brasileiro, somente nos polos do planeta. Criaram-se e adequaram-se medidas preventivas a contaminação bacteriológica do pescado, visando à melhoria da qualidade do produto; resistência a antibióticos da microbiota de embarcações pesqueiras aportadas em Passo de Torres. Em parceria com as empresas mencionadas, ocorre um monitoramento na Ilha dos Lobos nos últimos dois verões da fauna existente e como se comporta ao longo deste período.

A união de esforços da PRÓ-SQUALUS - PROJETO CARCHARIAS com a Colônia de Pescadores Z-18 e a Secretaria da Pesca tornou a comunidade de pesca do Passo de Torres a única no Brasil e no mundo. Em 2013 tornou-se a primeira comunidade de pescadores no mundo a execrar a prática do finning, ou seja, tornou-se uma Zona Livre do Finning. Em 2014 foi proposto a Unidade de Conservação Reserva Biológica da Solidão.  A parceria efetuada ao longo dos 14 anos entre as Entidades tende a ficar cada vez mais forte e crescer em suas atuações. Para tanto, basta somente a participação cada vez mais efetiva da comunidade de pescadores do Passo de Torres. Maiores informações sobre o PROJETO CARCHARIAS, como participar e como trazer as crianças, entrem em contato com a Secretaria da Pesca e na Colônia Z-18.

Educação

Historicamente foram desenvolvidas diversas ações para os pescadores e, mais recentemente para os seus filhos, um projeto especialmente construído o Projeto Oceanus. A primeira ação para os pescadores foi sugestão do Presidente da Colônia, em função do exame PEP da Marinha do Brasil, foi colocada em prática em 2004. Seriam constituídas aulas de todas as disciplinas presentes no conteúdo do Ensino Fundamental e Médio para os pescadores. Foram criadas aulas inseridas no contexto e realidade das pescarias e professores voluntários do Projeto Carcharias vinham dar as aulas na Colônia Z-18. A concepção metodológica destas aulas foi apresentada em Eventos Científicos e foram premiadas em 2004 e 2005.

Seguindo, foi concebida a ideia de montar-se uma biblioteca, também na Colônia no ano de 2006. Além da biblioteca, aberta ao público, foram montados computadores onde seriam praticadas aulas de informática e pesquisa, principalmente relacionadas às condições meteorológicas e oceanográficas e ao mercado do pescado. Houve muita participação dos filhos dos pescadores que frequentavam a biblioteca. A partir deste momento, as aulas de Educação Ambiental, iniciaram-se, tendo uma de suas idealizadoras a Sra. Ana Carvalho Joaquim, atual Secretária da Pesca. As aulas iniciaram em 2010 e aconteceram durante anos na biblioteca e trazendo resultados, praticamente imediatos, pois a partir das primeiras aulas os pais já traziam os resíduos sólidos do mar. O projeto de educação ambiental para os filhos dos pescadores foi chamado de o Projeto Oceanus.

 

No mês de agosto de 2013, o Projeto Oceanus foi reconhecido Prefeitura do Passo de Torres como uma ação importante aos filhos dos pescadores. Através da parceria com a PRÓ-SQUALUS, a Prefeitura do Passo de Torres o Projeto Oceanus resgata à educação ambiental prática, atuante e vivenciada pelas crianças, como um eficiente instrumento de sensibilização, socialização, interação de informações, divulgação de talentos e aprendizagem. Esse instrumento ajuda a fortalecer as relações família/comunidade, fundamentadas nas crianças, através de atividades diferenciadas, que desafie aos alunos superar seus limites, através de trabalhos desenvolvidos no Projeto, voltados ao ambiente. Além das atividades em aula, os participantes tem aluas de surf, auxiliando ainda mais a sua identificação e comprometimento com o mar. Estas aulas são realizadas por surfista profissionais e com a parceria com a Associação dos Surfistas de Torres (AST) ). O Projeto Oceanus conta com a Professora Janaína Wenzel e o Professor Walter Nisa-Castro-Neto e com a Sec. Ana Ana Carvalho Joaquim.

Saúde e Qualidade de Vida

    A Saúde e Qualidade de Vida dos pescadores de alto-mar é de fundamental importância na preservação dos organismos marinhos. Atualmente, os mesmos enfrentam jornadas de trabalho extremamente complexas. Dentre as atividades que desempenham ao longo das pescarias estão a condução e manobras da embarcação, desmalhe do pescado, limpeza do pescado, armazenamento do pescado entre outras atividades que fazem parte do dia-a-dia nas pescarias em alto-mar. Em média, as embarcações permanecem diversos dias no mar, e cada pescador permanece em suas atividades, como o mestre, por muitas horas em pé, até toda a rede ser recolhida. A partir dos estudos iniciados em 2008 sobre as Condições de Vida e Saúde de Pescadores, alguns problemas foram identificados. Entre eles, os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho de Pesca e aos Fatores de Risco para Doença Arterial Coronariana. Para estas pesquisas, foram confeccionados dispositivos de pesquisas únicos e especialmente para os pescadores. Como os trabalhos da Educação, estes foram enviados para eventos científicos e merecedores de prêmios.
 

Resultado das atividades do Projeto Oceanus, um dos pais que é pescador, trazendo de alto-mar os resíduos, como: plástico, papéis, restos de alimento e outros materiais que retornariam ao mar ou seriam colocados, como refugo do preparo da alimentação. Crédito fotográfico: Walter Nisa-Castro-Neto. No Projeto Oceanus há a construção das atividades de Educação Ambiental para as crianças a partir da realidade dos pais, a partir do conhecimento do mar e de suas esperanças. Nesta aula foram construídos animais marinhos, tubarões e golfinhos. Crédito fotográfico: Ana Carvalho Joaquim. Além das atividades de aula, o esporte, a prática do surf, desenvolve a aptidão das crianças em novas habilidades motoras além de as aproximarem do mar. Estas atividades são realizadas por surfistas profissionais e amadores. Crédito fotográfico: Walter Nisa-Castro-Neto. Recolhimento das redes, quando os mesmos passam muitas horas, até 18h, nas mesmas posições. Durante todas as estações climáticas o pescador fica sem nenhuma proteção aos raios solares. E também pesquisa-se a biologia reprodutiva e análise pesqueira dos tubarões-martelos (Sphyrna lewini) nos embarques. Crédito fotográfico: Colônia de Pescadores Z-18. Tubarão branco (Carcharodon carcharias) capturado na praia de Gaivotas (SC) em 2004, à 5km da costa. A pesquisa sobre o conhecimento dos pescadores resgatará uma enestimável fonte de informações a cerca da biodiversidade de elasmobrânquios do sul do Brasil. Crédito fotográfico: Colônia de Pescadores Z-18.